A quebra da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro!

Conheça sobre o especulador que acabou quebrando a BVRJ!

Nesse artigo, falaremos sobre a famosa quebra da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, também conhecida como BVRJ.

E se eu te falar que o maior precursor dessa quebra foi apenas um HOMEM, você acreditaria?

Então nos acompanhe, e conheça a trajetória de Naji Nahas, um investidor que faz você acreditar no ditado “O Brasil não é para amadores”.

Origem

De origem libanesa, Naji Nahas, nascido em 3 de novembro de 1947, é um empresário
bastante conhecido, principalmente no mercado internacional de prata.

Além da prata, Nahas, chegou ao Brasil com seus 22 anos, com cerca de 50 milhões de dólares, e montou diversas empresas, que incluía bancos, seguradoras e atuou até mesmo no ramo de produção de coelhos.

Ele já era milionário, mas queria ainda mais. Por atuar na área de investimentos, mais
diretamente nas especulações financeiras, ficou conhecido por quebrar a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.

Para ter ideia da dimensão, na época ele chegou a deter 7% da Petrobras e 12% da Vale, o que lhe garantia uma fortuna de mais de 400 milhões de dólares.

Se compararmos essa quantia nos dias de hoje, facilmente seria um dos mais ricos do planeta.

Estratégias de Naji Nahas

Nahas, fazia nada mais nada menos que pegar empréstimos em diversos bancos, por meio de laranjas, comprando cada vez mais ações, fazendo inflar as cotações na época e negociava consigo mesmo.

Como a BVRJ era pequena se comparada a outras bolsas de valores, com alguns milhões de dólares já era possível manipular a cotação de algumas ações, fazendo com que o preço subisse ou vice-versa.

Hoje em dia, é extremamente diferente, a bolsa é muito mais sólida, e para movimentar uma alta ou queda de determinada ação, é necessário pelo menos alguns bilhões de reais.

Naji Nahas ficou famoso por atuar no mercado de opções, e em 1988 na BVRJ, teve a brilhante ideia de adquirir um caminhão de opções de compra da Petrobras, que na época estavam cotadas na baixa.

Mercado de Opções

Caso você não saiba o que são opções no mercado financeiro, vai um mini resumo.
Opções são contratos negociados na bolsa de valores. 

Como o preço das opções deriva da cotação de outros ativos como ações e moedas, as opções recebem a classificação de derivativo. 

Uma opção garante ao detentor (titular), o direito de comprar ou vender um determinado ativo por um valor determinado, enquanto o lançador é obrigado a comprar ou vender o ativo.

Para reforçar, segue o exemplo: Digamos que a ação da PETR4 esteja cotada a R$30,00, mas você acredita que ela pode valer muito mais que esse valor, podendo chegar a R$60,00. 

Nesse mercado, você pode comprar a opção de compra desse ativo, e vamos dizer que essa opção de compra antecipada esteja R$1,00 (chamamos de prêmio) e exercer ou não o mesmo depois de 30 dias.

Caso essa ação esteja valendo mais que R$30,00 depois de 30 dias, você pode exercer a opção de compra naquele dia, e vender pelo preço que está sendo cotada no momento.

Desta forma, você pagou R$1,00 para poder comprar depois de 30 dias, pelo preço de
R$30,00. Agora imagine 100,400, 1000 opções, a rentabilidade seria muito elevada.

Mas e se essa ação estivesse valendo menos que R$30,00 após 30 dias, o que aconteceria?

Nesse caso, falamos que a opção virou pó, pois não vale a pena você comprar uma ação por R$30,00, sendo que ela está valendo ainda menos no mercado à vista.

Portanto você paga apenas o prêmio e não exerce a opção de comprar, ficando apenas com o prejuízo do prêmio, que no exemplo, seria R$1,00 por ação.

Explicando resumidamente, até parece fácil fazer isso no mercado, mas para conseguir essa proeza, não é nada simples!

A grande jogada

E foi exatamente dessa forma que Naji Nahas, ganhou muito, mas muito dinheiro aqui no Brasil.

O mesmo inflou a ação da Petrobras por meio desses empréstimos, fazendo com que o preço da ação subisse exageradamente.

Com esse aumento repentino, fazia com que outros investidores também comprassem no famoso efeito manada. Como as ações estavam subindo de forma superficial, o empresário na época, exercia sua opção de compra, que garantia o direito de comprar as ações a um preço pré-definido há 30 dias antes, como mencionado na explicação anterior.

Seguidamente, revendia suas ações, ficando com um caminhão de lucro.

Com essa bolha, os investidores que vendiam essas opções de compra para Nahas, tinham que comprar dele mesmo após os 30 dias. No final das contas, essa ideia magnifica lhe rendia o lucro das opções mais as ações negociadas no mercado.

A queda do especulador

O principal problema do responsável pela quebra da BVRJ, foi a própria ganância. Nahas, fez o mesmo processo que fez com a Petrobrás com as ações da Vale, fazendo subir mais de 1400% em 1 ano.

Por outro lado, as autoridades estavam supervisionando essa manipulação, e acabaram comprovando que havia uma bolha especulativa nessas ações que Nahas operava.

Pois suas empresas negociavam entre si, estimulando a alta de determinadas ações.

Com a comprovação da manipulação dos preços, o presidente do Bovespa solicitou aos bancos a cancelarem os empréstimos feitos para o especulador, o problema é que o próprio já tinha passado milhões em cheque sem fundos para comprar as ações.

Basicamente, os cheques foram estornados, e as corretoras que intermediaram a compra na época, ficaram com todo prejuízo. Logo após o ocorrido, o presidente do Bovespa confiscou mais de 400 milhões de dólares da carteira de Nahas, para pagar a dívida feita anteriormente.

O especulador foi processado e condenado a 1 ano por fraude financeira, o mesmo relatava que tinha sido vítima na época.

A quebra da Bolsa

A valorização da Bolsa naquela época havia sido gigantesca, algo em torno de 1600%. O problema é que essa alta foi totalmente superficial, e gerou um falso otimismo, levando muitos investidores novos migrarem para a bolsa de valores.

Logo após a notícia ter chegado nos Jornais, o pânico já estava formado, e as negociações da BVRJ ficaram suspensas, assim que voltaram, as desvalorizações foram massivas, perdendo mais de 1/3 do valor.

Desde esse momento, a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro não se recuperou mais, perdendo todo protagonismo para a conhecida Bovespa.

A BVRJ acabou fechando suas operações em 2000.

Esse foi um dos principais motivos da quebra da bolsa de valores do Rio de Janeiro. Você já conhecia a existência de Naji Nahas

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