Fundo de ações: Tudo sobre esse tipo de investimento

 

A virada de barco para investimentos com rentabilidades mais atrativas têm-se tornado algo padrão após a queda da Selic. Os investidores tradicionais de títulos públicos e privados estão insatisfeitos com os atuais retornos de seus investimentos. Nesse cenário a renda variável surge como alternativa para melhorar a rentabilidade dos mesmos. Uma opção interessante a ser explorada é através de fundos de ações.

Não é nada fácil sair de um investimento conhecido como a renda fixa e migrar para a o universo “obscuro” da renda variável, sobretudo ações. A intenção desse artigo é eliminar algumas dúvidas do leitor, e deixá-los mais familiarizados com esse tipo de investimento. Ao longo do artigo você vai entender o que são fundo de ações, seus tipos e também algumas características.

O que são fundos de ações?

O Fundo de Investimento em Ações (FIA) é um tipo de fundo de investimento, que tem como seu principal objetivo montar uma carteira de ações. É a forma mais “fácil e simples” de investir na bolsa. Os fundos contam com um gestor profissional, que é responsável pela alocação dos recursos disponíveis, ou seja, compra e venda de ações.

Para reforçar a memória do leitor, os fundos de investimento são um tipo de aplicação que reúne o capital de uma série de investidores – chamados de cotistas – com o objetivo de obter um retorno através da alocação destes recursos em uma cesta de ativos financeiros.

Segundo o Art. 115, da instrução CVM nº 555, “os fundos classificados como “Ações” devem ter como principal fator de risco a variação de preços de ações admitidas à negociação no mercado organizado.” Ainda segundo a CVM, para ser considerado um FIA, 67% de seu patrimônio líquido deve ser composto de  ações ou cotas de outros FIAs.

Sim, um fundo pode comprar cotas de outro fundo. Esse tipo de fundo é conhecido como Fundo de Investimentos em Cotas (FIC). Se você ainda tem dúvidas sobre fundos, estão disponíveis em nosso blog alguns artigos sobre fundos de investimentos e também Fundos Multimercados.

Tipos de fundos

Existem diversos tipos de fundos de ações. Para classificar os fundos, primeiro é necessário separá-los pelo tipo de gestão, e em seguida pelas estratégias adotadas por cada fundo.

Gestão Ativa: Fundos que têm como objetivo superar um índice de referência ou nenhum índice. O saldo dos recursos deve estar investido em cotas de fundos renda fixa de baixa duração. Existem 7 estratégias, segundo a ANBIMA, para esse tipo de fundo:

  • Valor / Crescimento

Segundo a ANBIMA:

“Fundos que buscam retorno por meio da seleção de empresas cujo valor das ações negociadas esteja abaixo do “preço justo” estimado (estratégia valor) e/ou aquelas com histórico e/ou perspectiva de continuar com forte crescimento de lucros, receitas e fluxos de caixa em relação ao mercado (estratégia de crescimento)”.

2) Setoriais

Segundo a ANBIMA:

“Fundos que investem em empresas pertencentes a um mesmo setor ou conjunto de setores afins da economia. Estes fundos devem explicitar em suas políticas de investimento os critérios utilizados para definição dos setores, subsetores ou segmentos elegíveis para aplicação”.

3) Dividendos

Segundo a ANBIMA:

“Fundos que investem em ações de empresas com histórico de dividend yield (renda gerada por dividendos) consistente ou que, na visão do gestor, apresentem essas perspectivas”.

4) Small Caps

Segundo a ANBIMA:

“Fundos cuja carteira é composta por, no mínimo, 85% em ações de empresas que não estejam incluídas entre as 25 maiores participações do IBrX – Índice Brasil, ou seja, ações de empresas com relativamente baixa capitalização de mercado. Os 15% remanescentes podem ser investidos em ações de maior liquidez ou capitalização de mercado, desde que não estejam incluídas entre as dez maiores participações do IBrX – Índice Brasil”.

5) Sustentabilidade / Governança

Segundo a ANBIMA:

“Fundos que investem em empresas que apresentam bons níveis de governança corporativa, ou que se destacam em responsabilidade social e sustentabilidade empresarial no longo prazo, conforme critérios estabelecidos por entidades amplamente reconhecidas pelo mercado ou supervisionados por conselho não vinculado à gestão do fundo. Estes fundos devem explicitar em suas políticas de investimento os critérios utilizados para definição das ações elegíveis”.

6) Índice Ativo (Indexed Enhanced)

Segundo a ANBIMA:

“Fundos que têm como objetivo superar o índice de referência do mercado acionário. Estes fundos se utilizam de deslocamentos táticos em relação à carteira de referência para atingir seu objetivo”.

7) Livre

Segundo a ANBIMA:

“Fundos sem o compromisso de concentração em uma estratégia específica. A parcela em caixa pode ser investida em quaisquer ativos, desde que especificados em regulamento”.

Indexados: Fundos que têm como objetivo replicar indicadores de referência do mercado de renda variável. O saldo dos recursos deve estar investido em cotas de fundos renda fixa de baixa duração. Também são conhecidos como fundos passivos. Replicam índices como Ibovespa, S&P 500, entre outros.

Específicos: Fundos que adotam estratégias específicas de investimentos tais como condomínio fechado, não regulamentados pela Instrução nº 555 da CVM, fundos que investem apenas em ações de uma única empresa ou outros que venham a surgir. A ANBIMA divide esses fundos em três:

  • Fundos Fechados de Ações

Segundo a ANBIMA:

“Fundos de condomínio fechado regulamentados pela Instrução nº 555 da CVM”.

2) Fundos de Ações FMP-FGTS

Segundo a ANBIMA:

“De acordo com a regulamentação vigente”.

3) Fundos de Mono Ação

Segundo a ANBIMA:

“Fundos com estratégia de investimento em ações de apenas uma empresa”.

Investimento no Exterior: Fundos que investem parcela superior a 40% do patrimônio líquido em ativos financeiros no exterior.

Quais taxas são cobradas?

São duas as taxas cobradas em Fundos de Investimentos em Ações:

  • Taxa de administração: Nos fundos de investimento o gestor é quem coordena as decisões de alocação do patrimônio do fundo. O gestor é um profissional capacitado e com experiência, e existe também uma equipe que o auxilia. Todo este trabalho leva tempo e, consequentemente, tem um custo, que é repassado para os cotistas através da taxa de administração do fundo.
  • Taxa de performance: É uma taxa que é cobrada apenas se a rentabilidade do fundo superar o indicador de referência, que pode ser o CDI, Índice Bovespa, entre outros. A vantagem dessa taxa é a motivação do gestor para buscar o melhor desempenho para o fundo. Sempre que esta taxa for paga, é porque o fundo teve bom resultado. Nem todos os fundos possuem esta taxa.

Tem tributação?

Enquanto no mercado à vista a apuração do Imposto de Renda é mensal, nos fundos de ações ela ocorre apenas no resgate, com alíquota de 15% sobre os rendimentos, não havendo cobrança de IOF em nenhum dos casos.

Vantagens e desvantagens

Após a leitura do texto você deve ter notado que existem algumas vantagens e desvantagens ao se aplicar em fundos. O que pesa muito a favor dos fundos é tornar o investimento menos arriscado se comparado a investimento direto em ações.

Primeiro, o gestor é um profissional de dedicação exclusiva, ou seja, ele passa a maior parte do seu dia, semana, mês e ano acompanhando a bolsa. Dificilmente o cidadão comum que possui emprego em tempo integral vai conseguir se dedicar a esse ponto.

Segundo, comprar ações é muito custoso. Muita gente não sabe, mas o preço divulgado das ações se refere ao valor unitário da ação dentro de um lote com 100 ações, como assim? Imagine o preço de uma ação em R$ 30, para você conseguir comprar a ação a esse valor é necessário comprar um lote todo (100 ações), você teria que desembolsar R$ 3.000,00 nesse exemplo. É possível comprar apenas uma ação, chama-se ação fracionada, porém o preço dela é um pouco maior devido, entre outras coisas, a menor liquidez. No seu dia-a-dia, ao comprar quantidades maiores de um produto há, normalmente, um desconto sobre o preço. Isso também acontece na bolsa. E não se esqueça da taxa de corretagem que você paga para comprar e vender ações.

Terceiro, em conformidade com o parágrafo anterior, como o patrimônio do fundo é muito grande o gestor do fundo pode investir em inúmeras ações. Assim, você está indiretamente diversificando seu portfólio na parte de renda variável.

Quarto, as rentabilidades dos fundos são sempre muito atrativas. Como ocorre em renda variável, fundos de ações prometem maiores retornos, prêmio pelo risco.

É importante também destacar a praticidade desse tipo de investimento. O investidor está delegando a gestão de seus ativos para um profissional capacitado, com isso ele pode dedicar-se mais em outras atividades.

Como você já sabe, nos investimentos nem tudo são flores. Ao investir em fundos de ações atente-se em duas palavras: liquidez e risco. A maior parte dos fundos de ações possui liquidez superior a 30 dias, então fique muito atento com os prazos para resgate. E como investir em um fundo de ações não deixa de ser um investimento em renda variável, você está exposto a oscilações no preço de seus ativos. Todo fundo de ações possui mais risco se comparado à renda fixa.

Podemos concluir, também, que esse tipo de fundo não é recomendado para reserva de emergência devido aos prazos de resgate e volatilidade dos ativos.

Artigos que podem ser úteis: A importância da inteligência financeira nos investimentos | COE: Tudo o que você precisa saber

 

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